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O que muda afinal?


Reparo que o ano está a acabar porque me deparo com este frenesim nas redes sociais, nas conversas do dia a dia, de gente a desejar que 2020 acabe, a querer rasgar o calendário, a querer esquecer, e a projetar tudo em 2021!

Mas se pensarmos bem, a mudança de ano é só o concluir de 365 dias em que a Terra perfaz uma volta em torno do sol. É apenas um facto, e tal não elimina uma pandemia. Ou o aquecimento global. Ou a crise económica. Ou a humanitária.

Se esquecermos tudo o que 2020 trouxe e fez e despoletou, como vamos consolidar tudo o que aprendemos face às adversidades e contratempos?

Apesar de tudo, 2020 teve memórias, teve novas descobertas, novas pessoas, novas formas de valorizar o que nos é próximo. Não acredito na ilusão coletiva de o chamar de "ano zero", como se não contasse para nada. Talvez seja de vários pontos de vista um dos que mais contou na verdade. Se quiserem que seja um "ano zero", que seja como forma de recomeço, de novas intenções e novos valores. Não deitem tudo fora. Não caiam na ratoeira de culpar 2020 de tudo só porque vêem muitos memes de Instagram.


No entanto, enquanto escrevo não quero desvalorizar certos factos: É legítimo sentir cansaço. É legítimo sentir frustração. É legítimo sentir que a sanidade mental está a anos luz em muitos dias. É verdade que não foi sempre fácil, e cada um de nós tem uma realidade, e são todas diferentes.


Rapidamente nos deixamos cair nesta enganadora, contagiante e ilusória corrente de pessimismo, culpa em algo externo e não aceitação destes meses que não deixaram de ser tempo de vida!

Estamos onde estamos, as coisas são o que são. 2021 não vai ser um milagre. Pode, no entanto, ser o que fizermos dele, com o que temos, o melhor que sabemos. Como todos os anos até agora.


Aqui fica um registo do que foi para mim 2020: maioritariamente nublado, pontuais avistamentos do horizonte, e com algumas entradas de luz.

E todos sabemos o que acontece depois das nuvens.


Namaste 🙏🏼


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